Liberdade de imprensa em xeque: jornalistas protestam contra novas regras do Pentágono

Esse caso no Pentágono é quase uma aula prática de ironia histórica: os EUA, que adoram dar sermão sobre liberdade de imprensa mundo afora, agora exigem que jornalistas submetam suas reportagens à aprovação do Departamento de Defesa antes da publicação — sob pena de perderem as credenciais de acesso.

Organizações como o Clube Nacional de Imprensa reagiram com veemência, lembrando que, por décadas, repórteres puderam revelar como guerras eram travadas justamente porque não precisavam pedir bênção do governo para escrever. Agora, segundo o presidente do Clube, Mike Balsamo, a população só verá o que as autoridades quiserem mostrar — e isso deveria soar como sirene em qualquer democracia.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, rebateu com uma frase que caberia em um manual de regimes autoritários: “A imprensa não comanda o Pentágono. Use um crachá e siga as regras — ou vá para casa.” Como se fosse tão simples: ou se curva, ou desaparece.

Para a Fundação Liberdade para a Imprensa, trata-se da “mais grave” violação da Primeira Emenda. Afinal, se o governo escolhe o que pode ou não ser publicado, não se trata mais de jornalismo, mas de assessoria oficial disfarçada.

E, para completar a coleção de contradições, isso ocorre ao mesmo tempo em que Trump justifica sanções contra o Brasil sob o argumento de defender a “liberdade de expressão” dos bolsonaristas condenados por golpe. Ou seja: em Brasília, censura é “tirania do STF”; em Washington, censura é “patriotismo”.

A ironia é cruel: Trump promete defender a democracia com tarifas, sanções e até força militar em outro país, enquanto em casa manda a imprensa mostrar só o que lhe agrada.